31 de Dez de 2008

green / verde


Olá professora! Eu não respondi á mensagem de Natal porque só a vi agora (tive com problemas na internet), por isso já não vou a tempo… Mas vou a tempo de mandar uma mensagem de ano novo, por isso aqui esta a minha mensagem de ano novo:

- Espero que neste ano, 2008, ria muito! Ria e ria o mais que poder! Ria ao máximo, porque em 2009 não vai ter muitos motivos para rir… Mas se quiser passar uma reveillon de sonhos aqui está o meu conselho: vá para a cama mais sedo!!!

Feliz resto da crise de 2008 e feliz começo da super crise de 2009!!!

Asinado: Afonso 8ºD

silver / prateado


adeus, 2008. mesmo se, como diz a sabedoria popular, atrás de mim virá quem de mim bom fará. um arrepio, portanto. valham-nos risos e afectos em 2009!

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30 de Dez de 2008

red / vermelho


e se a palavra que procuras fosse vento? vento que percorre o corpo como os dedos do tempo, às vezes frio, às vezes quente.
e se a palavra que procuras fosse nome? nome frio de gente por escrever no calor do ventre ?

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29 de Dez de 2008

red / vermelho


se alguém respirasse e cantasse uma palavra,

e súbito fosse respirado por ela, fosse

cantado assim

de puro júbilo ou, quem sabe? de medo puro,

poria no termo o selo de si mesmo?

quem é que sabe onde fica o mundo?

e de quê e de quem e de como é composto e dito,

de como uma só palavra, uma só, regula

ininterruptamente tudo, e alguém a põe em uso,

oh glória idiomática,

e é posto e disposto até que abuso de que espécie de infuso espírito

das profundezas dessa palavra


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28 de Dez de 2008

blue / azul


j. monge:
há um cais imenso, do lado de Lixbuna, ainda refém da escuridão. a neblina quase se dissipou na luz que o sol derrama sobre o rio e incendeia o veleiro contra os estaleiros abandonados em contraluz. no horizonte recorta-se o perfil de Al-Madan, despojada de homens e mulheres, dos seus tormentos e alegrias. é esse o legado das brumas - vislumbres do que é intemporal e permanece.


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blue / azul


anteontem fui escorraçada da beira rio por andar a fotografar. a APL cada vez nos rouba mais rio, entre vedações e seguranças. é certo que por baixo do meu casaco, cachecol e luvas poderia estar uma pasionária com um morteiro em forma de máquina fotográfica, disposta a assaltar a Torre, qual Bastilha da APL. sei lá. só sei que estou farta deste saque ao que é público, ao que é de todos nós.

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27 de Dez de 2008

silver / prateado


a mim,
a vida dobrou-me o corpo
quebrou-lhe a arrogância.
a ti
partiu o coração,
em mil estilhaços sombrios.

nesta carta mil vezes desenhada
somos irmãos cardeais
luzes que o dia abandonou à noite
e reuniu nesta errância disfarçada
de sermos talvez inteiros
talvez reais


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26 de Dez de 2008

red / vermelho


a distância fez de nós uma miragem

e tornou-nos mais reais.

tu, no teu mundo de sombras e luzes.

eu, obrigada à claridade.


a distância e o tempo da distância

desenharam-nos contornos e arestas

que não tínhamos,

reflexos que não sabíamos.


a distância e o tamanho da distância

escureceram palavras e iluminaram gestos

partes de nós

que nunca teriam sido.



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25 de Dez de 2008

red / vermelho

foi bom enquanto durou. parte de de ti ficou. parte de ti é parte de mim agora. a parte que amou.

red / vermelho


24 de Dez de 2008

red / vermelho

red / vermelho


é assim mesmo. vestidos de optimismo e rodeados de palavras amigas, as festas serão alegres e nós estaremos felizes.
. boas festas!

23 de Dez de 2008

green / verde




e eu que sou louco, um pouco, não ao ponto de ser belo ou maravilhoso ou assintáctico ou mágico, mas:

um pouco louco,

porque faço com mãos estilísticas um invento fora e dentro dos estados naturais:

e a faúlha e o ar à volta dela, jóia, digo, quero-a de repente,

e as matérias maduras e dramáticas: ouro, petróleo:

e com que potência mandibular me debruço sobre o prato,

e ávido e inculto,

com que mão aprendiz côlho o áspero alimento do mundo,

e rosto, membros, torso, radiações dos dedos,

trabalho no meu nome,

obra pequena de hemoglobina, enxôfre, células, osso, lume,

para estar mais perto de quem acaso me chame ou toque

eu

sem beleza nem maravilha,

só dor, desamor ou descuidada memória –

mas me conheça por isso que não é bem música,

talvez sim um som

dificílimo, sêco, acerbo, rouco, côncavo, precaríssimo

de apenas consoantes,

pregos

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22 de Dez de 2008

dark blue / azul escuro


eles aí estão, a rapariga do natal e o moço do ano novo, depois desta jornada insana de formulários, registos, relatórios. boa parte destes vai aterrar na comissão de protecção de crianças e jovens sem outra consequência que não seja, ao fim de longos meses, o pedido de versão mais actualizada. mas pode ser que por lá também seja natal...

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21 de Dez de 2008

gold / dourado


perdoa-me

calei-te ontem

ao fim da tarde

à hora em que o sol

sucumbe à lua

perdoa-me

eu sei que à noite

a voz te arde

mas não queria

anoitecer tua


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20 de Dez de 2008

white / branco


nada do que dizes é redondo.

não sei se é da voz

ou das palavras ou do olhar,

quando falas

cruzam-se arestas e ângulos,

sombras geométricas

que colidem com o ar.

nada do que dizes rola,

enrola, avança, volta atrás.

quando falas

as palavras pesam mais

do que a gravidade exige

e desfazem-se no chão,

densas e fúteis.


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19 de Dez de 2008

black & red / preto e vermelho


tréguas de natal para as reuniões de avaliação e respectivo arsenal de relatórios, informações, classificações, planos, actas, projectos, registos e demais procedimentos relevantes e indispensáveis...

18 de Dez de 2008

red / vermelho


lá vão eles, para as quatro paredes do quarto, frente ao ecrã, ou para o frenesim estridente dos centros comerciais, cyborgs de telemóvel incrustado na mão. quanto a nós, papel, papel, papel.

17 de Dez de 2008

green / verde


sinto-me um anacronismo. a verdadeira professora de história. sem dar por isso, não terei atingido uma qualquer espécie de excelência?!


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16 de Dez de 2008

black & white / preto e branco



o avesso da vida é vida também. tal como é vida a vida que se desmorona. tal como é vida esperar que a poeira da vida assente. viver a vida é vivê-la desmedida e não temer a raiva, não temer o desengano.


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15 de Dez de 2008

red / vermelho


corri as mensagens no ecrã e não encontrei a tua. nem junto das coisas sérias nem escondida entre as coisas divertidas. talvez estivesse algures, na escrita misteriosa de um monitor longínquo, ou perdida num qualquer cesto de papéis. ou talvez nunca tivesse passado de música nas letras frias do teclado.

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14 de Dez de 2008

black / preto


no chão crescem flores negras. flores absurdas, frias, quase hostis. flores como certas palavras longamente cultivadas, mas que se soltam inesperadamente violentas, quase vis.
no chão crescem flores escuras como gestos em noites de lua nova, gestos demoradamente construídos, que se desfazem em espirais de silêncio e vazio no chão de luz.

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13 de Dez de 2008

gold / dourado



um dia hei-de lembrar-me do meu nome

na tua voz

quando ainda não tinha nome

quando ainda não era eu

um dia hei-de lembrar-me do teu nome

nas minhas mãos

quando ainda não tinhas nome

quando ainda não eras meu


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12 de Dez de 2008

black & white / preto e branco


fosse a chuva

o pranto da terra

e seria o vento

o abraço do mar.

que o sejam

quando o frio entorpece

não só as mãos

mas o peito

e o corpo todo esquece

a lua e as estrelas

o horizonte inteiro

no mesmo sufoco

na mesma húmida

falta de ar.


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11 de Dez de 2008

gold / dourado

the girls are back together. it's a sunny wintertime.

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10 de Dez de 2008

blue / azul



é quando a cidade mais se fecha sobre nós, que irrompe do fundo da memória o mar largo, a verdadeira ventania, aquela que é energia, movimento, sobressalto da respiração, razão de ser, companhia. talvez porque a cidade é mais cidade perto do mar, onde os homens são mais homens e o vento mais livre e tudo é azul.

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9 de Dez de 2008

black & red / preto e vermelho



a minha foi uma underwood com teclado inglês cursivo, cinzenta e branca, oferta paterna. matraqueou como uma metralhadora inenarráveis textos de propaganda e trabalhos universitários em longas directas de embriaguezes várias.
mais tarde, rendeu-se aos stencils dos testes escolares, que se rasgavam sem remédio quando se acentuava o texto à mão.
nessa altura, cartas e mensagens ainda eram manuscritas, por prazer ou educação.
depois, uma lenta agonia em que foi
literalmente descendo na minha vida até aterrar no museu da arrecadação.
estas máquinas em que escrevo e estes ecrãs onde vou buscar o mundo e alguma gente, mataram a minha máquina de escrever.


bronze/ bronze

no lugar imenso

do teu peito

já não pertenço.
perdi o rumo
o aprumo
perdi o senso.

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8 de Dez de 2008

gold / dourado


condenados ao futuro : literatura de viagem.


7 de Dez de 2008

red / vermelho


natal em contagem decrescente a partir de agora.

6 de Dez de 2008

greyish blue / azul acinzentado

quando o dia é de água a vida muda, segue uma líquida dimensão primordial, onde sons, imagens, afazeres, problemas, se diluem na água que nos rodeia por inteiro. quando chove, o ritmo encantatório da chuva transporta-nos para um transe quase marítimo de tão longínquo. quando o dia é de água as cores tornam-se aquáticas, perdem-se referências, reflexos, vontades . às vezes o corpo cede aos males da época e, quebrados, somos despojado de energia e luz e acinzentamo-nos nos gestos e nas palavras, vazios de pensamentos e quereres.

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5 de Dez de 2008

blue /azul


quantas vezes atravessaste a rua sem te chamarem do outro lado?

quantas vezes, na segurança do passeio,

pensaste na distância, no piso, contaste os passos ?

quantas vezes ficaste parado,

enorme e ao mesmo tempo ínfimo, murmurando ideias?

quantas vezes recusaste passagens que desconhecias?


talvez penses demais em avenidas e menos em vielas,

talvez frequentes mais rotundas do que praças,

talvez prefiras o betão das estradas ao empedrado dos caminhos,

talvez prefiras alcatifas a soalhos de madeira,


talvez acredites que és tu a solução dos teus problemas.

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4 de Dez de 2008

jade green / verde jade


deixa-me ser

outra mulher

agora

e tu, até ver

outro amanhã

qualquer


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3 de Dez de 2008

black & red / preto e vermelho


em greve

2 de Dez de 2008

blue /azul


entre testes e trabalhos individuais e muita prosa a vermelho, o azul lavado e frio que desafiou o temporal. a sul, só quando o mar está de acordo é que é inverno.

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1 de Dez de 2008

blue / azul


desta vez o temporal veio de terra, cinzento, escuro, frio.
o mar, chão, chamava o sol de vez em quando, entre cortinas de água e mantos de nuvens.
o outono foi buscar o inverno ao cair da noite.
o restolhar do fogo na lareira silenciou o marulhar do mar.

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