28 de Jun de 2009

blue / azul

Nude male, Sabine Klement



não procures nas esquinas do teu corpo
o calor da minha mão
a noite acordou e eu esqueci-me
da irredutível solidão da tua sombra

não procures no silêncio do teu corpo
o sabor da minha voz
o dia adormeceu cansado de palavras

e eu perdi-me na mágoa de sermos nós

não procures na nudez do teu corpo
o caminho dos meus beijos

o nosso tempo acabou de madrugada

quando se sonham risos e desejos


.

5 comentários:

Aldina Duarte disse...

Ou o amor é um irmão gémeo da liberdade, ou... mudemos-lhe o nome.

Abraço de mãos abertas!

San disse...

não sei se amor e liberdade são irmãos gémeos, mas sei que ora são inseparáveis ora se excluem mutuamente...é por aí, Aldina?
mil beijos

Aldina Duarte disse...

Liberdade versus exclusão mútua, muito bom :) Que maravilha! Eu, liberdade, e o meu gémeo, amor, estamos inseparavelmente felizes;)

Mil beijos, amiga, que me desenhas rapidamente, quase sempre, múltiplos sorrisos nestas passagens pela tua vida às cores!

Mário Lopes disse...

Belos são os frutos da mágoa e do desencanto, são esses que vale a pena colher. Não o queixume em si mesmo. E a San poeta coloca-os nas nossas mãos com enorme delicadeza e sensibilidade. Que lindo poema, San!

j. monge disse...

Lindo!
Toda a página pode ser virada com um gesto bonito...