31 de Jul de 2009

black & white / preto e branco


outras praias, outras vidas, outras cores...não fomos assim, lindas, extravagantes, cúmplices?

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30 de Jul de 2009

gold/ dourado


aproxima-se agosto e o areal vai-se enchendo de famílias. de famílias aos gritos, que adoram falar ao telemóvel, relatando a vários interlocutores as últimas ocorrências próprias ou alheias, e sentem uma atracção irresistível pela proximidade a desconhecidos, sobretudos àqueles que pretendem continuar a sê-lo.
está na hora de pensar em bater em retirada.
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29 de Jul de 2009

pink / cor de rosa


desconfio que são estes progenitores que trazem as crianças para a praia ao meio dia, rosadas como camarões, e os que lhes toleram birras, má criação e agressões (sim, agressões) que sentem dores de cabeça quando começam as férias escolares...

26 de Jul de 2009

brown / castanho



não será a minha voz o teu silêncio
prisioneiro do vento?
porque canto então?
porque me escutas
quando me calo
quando a noite desvanece o dia?
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25 de Jul de 2009

silver / prateado

Naked man, Ciaran Ken


é aqui que estou mais perto da verdade
neste areal deserto
onde a voz das ondas
canta ao compasso da nortada.
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24 de Jul de 2009

blue / azul


não me mintas. neste momento azul só o vento mente. que lhe importa que o teu olhar se desvie, que as tuas mãos na minha pele nua esqueçam o percurso da areia?
não me mintas que eu te direi o momento da lua, a morte da nortada, o sabor da maresia no corpo abandonado.

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23 de Jul de 2009

blue /azul


Na rede com... Ndidi Onukwulu (Move Together) e Mazgani (Song of the New Heart).

22 de Jul de 2009

white / branco


não me levaram demasiado a sério, pois não? eu não gosto lá muito destas tais férias de verão, esta gente parece que fica maluca, passam a a vida a entrar e sair de casa, a untar-se com cremes e óleos, bebem que se fartam, cozinham e comem na rua, mas a verdade é que dou umas belas passeatas (ao anoitecer até me deixam ir ao mar) e há sempre alguém que me passa uns ossos e umas febrinhas. mas uma rapariga tem que desabafar de vez em quando...

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white / branco


não gosto de ondas no mar. não gosto do calor. não gosto do cão dos holandeses. não gosto do jipe da gnr. não gosto do combóio que apita quando passa. não gosto das motas dos operários do novo hotel.

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21 de Jul de 2009

silver /prata

Meia Praia

Levante a sério no Barlavento é coisa rara. ou tem sido, nos últimos anos.
Levante é coisa de Sotavento, vento sueste, calor abafado e cinzento, ondas alterosas e quentes, infância, férias grandes, a avó enervada, dores de ouvidos de tantos mergulhos, mézinhas caseiras...
Levante é dos algarves, como o aroma quente da terra com sabores de amêndoa e alfarroba, figos maduros, tomate vermelho esmagado sobre o pão, orégãos e um fio de azeite a pedirem queijo (o vinho viria muito mais tarde...).

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20 de Jul de 2009

blue / azul




levante. as vagas alterosas que invadem a baía trazem temperaturas mais algarvias e emoções fortes: passar a rebentação e as correntes sob a espuma e flutuar de onda em onda como mensagem numa garrafa à deriva...

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15 de Jul de 2009

multicolor / multicor

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14 de Jul de 2009

blue / azul

May 2008, Cig Harvey



azul. azul. azul.
azul frio. mas, que importa!
azul. azul
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13 de Jul de 2009

blue / azul

praia das Avencas

debandada para sul.

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gold / dourado



última reunião de departamento do ano (lectivo): olhar para trás, seguir em frente...


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12 de Jul de 2009

white / branco


ainda não. mas já falta pouco...


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black & white / preto e branco

Rod McKuen

how can you say something new about being alone?
tell someone you're a loner and right away they think you're lonely

Rod McKuen

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11 de Jul de 2009

blue / azul

Lady Maud

dá-me um nome que não seja meu nem teu
mais azul que o imenso azul da maresia
um nome inteiro, de sal e ventania
mais azul que o azul que me perdeu


dá-me um nome com pernas, braços, ventre
com mil estrelas a explodir no coração
um nome que brilhe azul, de repente,
no percurso sabedor da tua mão.

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10 de Jul de 2009

black & white / preto e branco


sei de ti a sombra e a errância

as palavras longamente reflectidas


sei de ti a nudez e o ardor

a deriva desde sempre consentida


sei de ti o silêncio e a distância

as carícias tantas vezes repetidas


sei de ti o tempo do amor

a secreta hora da partida


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9 de Jul de 2009

black / preto

in The New Worker


há um olhar no teu olhar

que me prende e se desprende

sem ruído

uma espécie de interrogação

sem sentido

que se desfaz no ar

uma hesitação ao chegar

um gesto contido sem razão

na despedida


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8 de Jul de 2009

black / preto

Aldina Duarte


quando o corpo se veste de fado

na nudez da lua iluminada

a tua mágoa canta a meu lado

e eu canto até ser madrugada


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7 de Jul de 2009

black & white / preto e branco


e quando o verão é a preto e branco e perde a sua música
colorida?
e quando o corpo se abandona ao tempo e se faz descoberta
e despedida?
o silêncio do desejo nos gestos é opaco na água fria
são os beijos demorados que devolvem voz à própria vida.

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multicolor / multicor


grande apoteose anual de papéis.
é assim que os quero ver:
como tendo embrulhado pequenas grandes aventuras. como se fossem oferecer alegrias e prazeres. coloridos. desabridos.

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6 de Jul de 2009

green / verde


a minha princesa morena deixou-me sozinha na adolescência de onde nunca, a bem dizer, saí. a vida não lhe ofereceu, nem à irmã, uma revolução...
espero que lhe(s) ofereça tanto como a mim (mesmo sem revolução) e muito mais.


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5 de Jul de 2009

scarlet / escarlate

Lisa Ann, Mary Ruffle

não são as arestas do silêncio que queimam
nas palavras de fogo em que ardes,
são as razões da tua voz que teimam
em deflagrar como canções nas minhas tardes
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4 de Jul de 2009

blue / azul

Meia Praia


há, na espuma do mar, uma ilusão de nuvem, uma impressão de ausência solar.


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3 de Jul de 2009

blue / azul

Ponta da Piedade


aqui, sentei-me de pé e esperei. esperei a passagem dos grandes veleiros, o escaler que havia de te trazer do imenso azul em que te perderas, tu, que sabias tudo das correntes e das marés e do ranger da madeira vestida de espuma. aqui, sentada na falésia que entardecia, esqueci-me do sol e do vento e do frio e soube que nunca mais me trarias pedaços de ânforas ou pesos de argila, recolhidos no fundo do estuário, onde o rio se entrega à maresia, onde outros homens se perderam também. aqui, nesta fortaleza precária que o vento esculpiu na terra e na rocha, esperei. esperei o esquecimento, esperei o regresso da memória. esperei as tuas velas recolhidas, o sussurrar do motor na noite. e enquanto esperei, nunca estive só.

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2 de Jul de 2009

black & white / preto e branco


porque quiseste em mim luzes e cores

acreditei que sabias do corpo o coração

porque apagaste em mim mágoas e dores

acreditei que sabias das palavras a paixão.


não foram meus, porém, os desenganos breves

de quem perde na voz calada a emoção

tu esqueces de dia o que à noite escreves

e eu acreditei no teu silêncio sem razão.


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1 de Jul de 2009

green / verde

a minha madressilva

a madressilva é a única planta que me aceitou tal como sou. aceitou que a plantasse, aceitou que a arrancasse por causa da pintura do muro, aceitou renascer, aceita-me cada dia em que floresce num silencioso sopro perfumado quando passo. todas as outras desistiram, secaram nos meus esquecimentos, cederam às pragas e à falta de cuidados ou desdenharam as minhas floreiras, vasos ou canteiros. só a madressilva me aceitou tal como sou, incapaz de amar um jardim como se ama cada árvore, cada arbusto, cada flor.


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